Ele vem até mim através de uma grade em um confessionário na minha igreja.
Ele é impulsivo, vulgar e confessa coisas que o mandariam ao inferno, e ainda assim, me sinto intrigado com o homem misterioso.
Suas palavras pecaminosas me emocionam. O modo de vida dele, tão diferente do meu, me faz cobiçar uma emoção que há muito tempo faltava. Quanto mais estou perto dele, mais percebo há quanto tempo fui privado de tanta coisa, e mais meu próprio desvio começa a surgir.
No papel, nada entre nós dois faz sentido, e há muitos motivos para eu manter distância. Eu tento ser piedoso, mas se alguém encontrasse os esqueletos no meu armário, eu seria excomungado da igreja.
Quando algo do meu passado se revela, me vejo sendo puxado para um modo de vida que não pensei que estaria no meu futuro, e agora estou na linha entre o certo e o errado. Moralidade versus necessidade.
Sou padre. Ele é um assassino. Mas nós dois somos pecadores.

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